Thursday, September 23, 2010

Carlos Maria da Silva Feijó, O Vice-Presidente “de facto”…

Carlos Feijó, Chefe da Casa Civil e Ministro de Estado
Em círculos internacionais (acadêmico e político) é visto como
uma das raras personalidades angolanas que estando dentro ou fora do
poder, pode falar com autoridade a cerca da realidade do país. A
oposição política em Angola reconhece-lhe pragmatismo/moderação, o que
fez dele uma figura de consenso. Não tem apego ao poder. Dos elementos do
núcleo presidencial, Carlos Maria da Silva Feijó é também a figura com
quem o PR tem um relacionamento semelhante a “pai e filho”. (JES
empresta-lhe e recomenda-lhe a leitura de livros e vice versa).

O Vice-Presidente “de facto”
Começou a privar com JES quando tinha 26 anos de idade. A sua entrada no
regime, aconteceu depois que ele e um outro membro do MPLA, André
“Passy” terem terminado “muito” cedo as suas respectivas licenciaturas
em direito. Ambos foram inicialmente sondados para prestar apoio técnico
a uma comissão constitucional da antiga Assembléia do Povo (AP), a época
do partido único. (O Presidente da AP era Dino Matross). Há também a
variante de que Carlos Feijó teria sido “descoberto” por um economista,
Mário Barber, com ligações estreitas ao circulo do poder em Angola. Após
a sua “descoberta” foi “puxado” para o futungo de belas e em Junho de
1990, o Presidente José Eduardo dos Santos acabaria por lhe nomear para o
cargo de Vice-Ministro do Trabalho (Era o governante mais novo do governo).
No seu tempo de escola, Carlos Feijó era conhecido como um aluno dedicado
e proveniente de uma família das ruas da “Cavop” no Cazenga. Perdeu o
pai muito cedo e a mãe Maria das Dores (costureira de profissão) passou
a exercer o duplo papel de mãe e pai. (Quando o filho começou a
trabalhar ofereceu-lhe uma maquina de costura). Um dos suportes familiares
que o mesmo teve enquanto estudante era de um primo-irmão, Heleno
Silva Santana Feijó, que andou pela extinta DISA, mas que acabaria por
ser assassinado no bairro popular. Naquela altura, a figura do seu circulo
familiar que mais próxima estava ao “poder político” era uma prima Paula
Feijó, casada com o então chefe de Estado Maior das FAPLA, general Alberto
Correia Neto (Hoje Embaixador).
Três meses após assinatura dos acordos de Bicesse de 1991, Carlos Feijó
foi exonerado da pasta de Vice-Ministro do Trabalho para ser nomeado
Secretario adjunto do Conselho de Ministro de Estado. No ano a seguir,
três meses após as primeiras eleições gerais em Angola, acabou por ser
ele, o chefe integral da pasta de Secretário do Conselho de Ministros.
A confiança que JES passou a ter pelo mesmo, foi sentida quando o PR,
passou a chama-lo para fazer parte das audiências que o presidente
angolana dava ao falecido líder da UNITA, Jonas Savimbi. Apenas ficava na
sala, JES, Savimbi, Carlos Feijó e o general Antonio José Maria. Anos
mais tarde, quando o regime propôs a Vice-Presidência a Jonas Savimbi,
este rejeitara ao saber que passaria a “despachar” com Carlos Feijó. (No
ver da UNITA, isto constituía um autentico desrespeito)
Enquanto membro da entourage da Presidência da Republica, Carlos Feijó
viveu momentos não muito bons mas que lhe permitiram avaliar quem eram os
seus verdadeiros amigos e quem eram os de conveniência. Certa vez,
organizou uma festa em alusão a data do seu aniversario a 2 de Janeiro. A
ocasião calhou num momento em que tinha sido afastado pela primeira vez
do circulo presidencial. Na hora em que a festa iniciava, os supostos
amigos/convidados (do regime e partido), estacionaram as suas viaturas na
ponta da rua de sua casa e enviaram antes os seus guardas ou motoristas
para fazerem reconhecimento de quem estava na festa. Só depois é que os
mesmos entravam, para cumprimentar mas saiam rapidamente invocando que
tinham outros compromissos. O comportamento dos colegas do regime em
renegarem-lhe foi associado a um suposto medo de poderem ser vistos ou
serem conotados de que se mantinham seus amigos visto que o mesmo fazia
“travessia no deserto”.
Diz-se que desde então, passou ser cauteloso nas amizades. Um das figuras
a quem o mesmo considera como verdadeiro amigo é Sabino Ferraz com quem
partilha uma amizade que se estende entre os filhos de ambos. É também
muito amigo de Antonio Pitra Neto, desde o tempo da Assembléia do Povo.
Mantém uma amizade privilegiava com os generais, João de Matos e Mario
Cirilo “Ita” que o reconhecem desde o tempo de estudante. Por isso não
hesitou quando João de Matos propôs –lhe para ser seu padrinho de
casamento com a ex-Miss Emilia Guardado. (Cerimônia realizada no Mussulo)
De lembrar que a primeira vez, que foi afastado do poder político
aproveitou o tempo para se instalar em Portugal, onde fez um mestrado em
direito publico. Inscreveu-se para o grau de doutoramento, mas logo a
seguir, o PR, JES chamou-lhe para desempenhar as funções de assessor
presidencial para os Assuntos Regionais e Locais, cargo que exerceu por
cerca de quatro anos. Em Janeiro de 2004 acabaria por ser nomeado Chefe
da Casa Civil do Presidente da República cargo que ocupou por 11 meses
registrando a sua “segunda” saída do circulo presidencial em função de um
atrito com o então Secretario do Conselho de Ministro, Antonio Van-dúnem
“Toninho” em que este teria sido visto com um dos dedos da mão esquerda
fracturado.
Esta foi a sua segunda saída embora considerada de “jure”, pois serviria
para que o PR, agisse com justiça pelo que ocorrera com ele e
“Toninho” Van-Dúnem. Enquanto ausente da vida política dividiu o seu tempo
com a vida de docente, liderou um escritório de advogados, prestou
assessoria a Sonangol, e foi prestando discreta assistência ao PR, José
Eduardo dos Santos de quem nunca se desligou. Em meados de 2005, esteve a
freqüentar uma formação avançada em projectos de finanças pela
Universidade de Harvard nos Estados Unidos da America. Passou a estar
mais presente do seu circulo familiar. O seu maior orgulho é uma filha,
Ângela Feijó, formada em direito em Portugal e com uma especialização pela
Universidade de Aberdeen, na Inglaterra.
Em Agosto/Setembro de 2008, participou directamente na campanha
eleitoral do MPLA no Município do Cazenga onde chegou a passar noites.
Apoiou financeiramente o mesmo Comitê Municipal do partido oferecendo 10
mil dólares. Concorreu nas listas a deputado do MPLA a Assembléia
Nacional mas acabaria por suspender o mandato.
Embora nunca tenha deixado de privar com JES, o seu regresso, de modo
oficial, ao circulo presidencial começou a ser sentido em finais de 2009
quando deu a cara como porta voz do modelo de constituição atípica. JES
esboçou a idéia do que pretendia e passou – lhe o “draft” para
tratamento profissional. Após a feitura da constituição, o PR instruiu-lhe
a desenhar e a propor a estrutura do futuro executivo introduzindo a
figura dos Ministros de Estado e a redução ou extinção de algumas pastas
governamentais. Para melhor concentração e sigilo, foi dispensado para
seguir ao Dubai, em Dezembro de 2009 onde executou a feitura da proposta
daquilo que seria o futuro executivo.
A 29 de Janeiro do corrente, JES levou-lhe para participar numa reunião
do Bureau Político do MPLA destinada a apresentar ao circulo do partido o
esboço da estrutura do novo governo. Diante dos membros do BP, José
Eduardo dos Santos se justificou dizendo que Carlos Feijó participaria
naquela reunião restrita na qualidade de “convidado do presidente”. Teria
sido um sinal inédito e claro da confiança do PR para com ele.
Com a aprovação da nova constituição e a reestruturação do governo o
mesmo seria nomeado Chefe da Casa Civil e Ministro de Estado. Na altura,
quadros intermédios do regime questionavam como seria o relacionamento
com o general “Kopelipa”, visto que Carlos Feijó era amigo de Fernando
Miala (Chegaram a editar um livro sobre as leis de segurança).
Na seqüência da sua reentrada, o mesmo passou a ser visto como o “cabeça
pensante” do executivo e com protagonismo equiparado a um “Primeiro
Ministro”. Em meios, do poder político angolano passou a dizer-se que a
personalidade que exerce de “facto” o papel de “segunda” figura do
Estado angolano é Carlos Feijó e não Fernando da Piedade dias Dos Santos.
Tais argumentações são baseadas nas seguintes observações a saber:
- Depois de JES é ele que passou a ter competência nos principais dossiês
do país (Excepto a Segurança). O Vice-Presidente da Republica, Fernando
da Piedade Dias dos Santos “Nandó”, domina apenas a área social (Escolas e
Hospitais) e não tem orçamento próprio. Quando “Nandó” precisa de verbas
ou outros expedientes, a correspondência passa primeiro pelo Gabinete do
Chefe da Casa Civil para apreciação e por sua vez este coloca na mesa do
PR. (i.e, Se “Nandó” apresentar propostas que Carlos Feijó não concorda a
coisa morre por ai, a menos que este se queixe ao PR). Na linguagem
terra-a-terra, diz-se que “Nandó” passou a despachar com Carlos Feijó.
- Quando “Nandó” se ausenta do país, o PR assina despacho orientando que
os funcionários do Gabinete do Vice-PR passem a despachar assuntos
correntes com Carlos Feijó.
A percepção que apresenta, o Chefe da Casa Civil, como uma espécie de
Vice-Presidente da Republica “de facto” tem se arrastado para o circulo
familiar de JES. No último aniversario do PR, a primeira dama Ana Paula
dos Santos organizou uma festa privada apenas para 80 pessoas da família,
ao qual um filho de JES (Zedú Dos Santos) dedicou uma musica ao pai.
Carlos Feijó foi o único membro do governo a ser convidado. O Vice-PR,
Fernando da Piedade dos Santos foi “apenas” convidado a comparecer na
festa realizada no dia seguinte (sábado) no salão da cidade alta junto com
outros ministros e membros do partido…
Isto dis-lhe alguma coisa?
Fonte: Club-k.net
Nota: de todos os membros do Governo, Carlos Feijó é o meu favorito, a par de Sabino Ferraz…

Posted by Eman D;Alva in 19:46:46
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